Com versão 1.0 Freestyle do Ka, Ford ganha competitividade no dinâmico segmento de compactos aventureiros

Com versão 1.0 Freestyle do Ka, Ford ganha competitividade no dinâmico segmento de compactos aventureiros

   Na trilha do fetiche

   A demanda por utilitários esportivos e veículos com estética aventureira não para de crescer – hoje são responsáveis por quase um quarto das vendas de automóveis no Brasil. Para atender esses consumidores que aspiram ter veículos de aspecto robusto e desbravador, todas as marcas investem em veículos com essas características. No caso da Ford, seu modelo mais vendido, o compacto Ka, expressa bem essa tendência. Depois de lançar, em novembro do ano passado, a versão Freestyle com motor 1.5 Flex de 136 cavalos, a marca resolveu ampliar a oferta dessa configuração aventureira do Ka com o lançamento da versão 1.0 Flex de 85 cavalos – a configuração 1.5 passou a ser oferecida somente com câmbio automático de seis marchas. Segundo pesquisas da Ford, entre os hatches de entrada, as características de utilitário esportivo são desejadas por cerca de 22 por cento dos consumidores, mas apenas 5 por cento dos modelos vendidos oferecem tais características. Oferecida por R$56.690, a versão FreeStyle do Ka com motor 1.0 amplia a abrangência da Ford na faixa de entrada do segmento de hatches aventureiros.
   O preço não chega a ser barato para um modelo com motor 1.0, mas a Ford colocou no Ka 1.0 Freestyle quase tudo que faz brilhar os olhos dos consumidores desse segmento. Para atender quem sonha ter um crossover, a versão chega com os mesmos conteúdo e adereços aventureiros da versão Freestyle com motor 1.5. Lá estão a grade dianteira cinza do tipo colmeia, faróis com máscara negra, piscas integrados nos retrovisores, aplique inferior em prata nos para-choques e moldura em preto fosco no contorno da carroceria. O rack de teto é funcional e tem capacidade para cinquenta quilos. A altura livre do solo é de 18,8 centímetros e a bitola – distância entre as rodas do mesmo eixo – foi ampliada em três centímetros. Além da estética, a Ford tratou também de enrijecer a estrutura, reforçou o monobloco e a suspensão, com a adoção de uma barra estabilizadora mais grossa, além de receber amortecedores e molas 30 por cento mais resistentes na traseira e amortecedor com limitador hidráulico na frente. A nova versão adota rodas e pneus de perfil maior, 185/60 R15. 
   Por dentro, o Ka 1.0 Freestyle perde o jeitão de carro de entrada e recebe um tratamento mais sofisticado, com painéis internos em preto e marrom. Os bancos revestidos em couro e tecido trazem duas faixas em tom mais claro no centro e nas costuras aparentes. As soleiras exibem apliques escovados com o nome FreeStyle. A central multimídia Sync agora é da geração 2.5, identificada pela tela menor de sete polegadas – o Sync 3 tem um monitor de oito polegadas. Não traz GPS interno, mas tem recursos de comandos de voz, conexão com Android Auto e Apple CarPlay e pode espelhar Waze ou Google Maps. Em relação ao Freestyle 1.5, a versão 1.0 fica devendo os airbags laterais e de cortina e a câmara de ré. Mas permanecem de série o sensor traseiro, o controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e a direção elétrica progressiva com sistema que reduz a transferência de torque para o volante e controla desvios provocados por ventos laterais ou desníveis no piso – o chamado ‘Pull Drift Compensation’ (PDC). O Ka FreeStyle 1.0 é equipado também com um sistema de proteção anticapotamento com sensor de deriva, que estima a rolagem da carroceria em função da aceleração lateral e, se necessário, aciona os freios individualmente e reduz a potência do motor para garantir a segurança.
   Principal novidade da versão, o motor 1.0 tricilíndrico TiVCT Flex entrega 85 cavalos com etanol e 80 com gasolina. Já o torque fica em 10,2 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgfm a 4.500 mil rpm com etanol. Ainda não há índices oficiais do Inmetro para a versão, mas esta mesma motorização na versão SE obteve notas A na categoria e B no geral, com consumo de 9,2/13,4 km/l na cidade e 10,7/15,5 km/l na estrada, com etanol/gasolina. Contudo, o atributo que o Ka 1,0 Freestyle usa para seduzir os consumidores é mesmo a estética “off-road”, com detalhes que deram um ar mais vigoroso ao compacto. 

Experiência a bordo: Dimensões bem solucionadas

   O Ka é um hatch compacto, mas a boa altura interna amplia a sensação de espaço. A área para joelhos, ombros e cabeça é recomendável para quatro adultos – levar cinco compromete o conforto no banco traseiro. Com esta versão 1.0 Freestyle, a Ford elevou o nível de seu modelo de entrada ao incorporar equipamentos pouco usuais no segmento, como controles de estabilidade e tração, auxílio para partida em rampa, sensor de estacionamento traseiro e sistema isofix. A nova versão traz uma significativa melhora nos materiais empregados e no acabamento interno. O revestimento dos bancos, que mistura tecido e couro, dá certa classe ao carro. 
   O Ka 1.0 Freestyle é bastante fácil de interagir, com sua tela touch de 7 polegadas posicionada no alto do console frontal. O volante multifuncional permite comandar a central multimídia e o controle de cruzeiro. O habitáculo ficou mais silencioso graças aos novos vidros dianteiros acústicos. O porta-malas de 257 litros pode não ser dos maiores, mas os tapetes do porta-malas são de borracha e com formato de bandeja, o que facilita muito a limpeza.

Impressões ao dirigir: Simples e eficiente

   O motor 1.0 Ti-VCT Flex de três cilindros é moderninho – tem duplo comando variável independente de válvulas, coletor de escape integrado e correia banhada a óleo. Entrega 85/80 cavalos de potência a 6.500 rpm com etanol/gasolina – potência suficiente para embalar o carrinho de pouco mais de uma tonelada. Já em 1.500 giros, o motor disponibiliza 87 por cento do torque máximo de 10,7 kgfm com etanol – que surge plenamente em 4.500 rpm – e de 10,2 kgfm com gasolina, atingido em 3.500 rpm. O fato de grande parte do torque já estar disponível em baixos giros se reflete em um veículo bem agradável de se dirigir. Não permite um uso mais esportivo como a versão 1.5, mas apresenta algum vigor e proporciona um ganho de velocidade progressivo. Em subidas íngremes, o Ka não perde fôlego, desde que o motorista não tenha preguiça de usar a caixa de marchas. O modelo não apresenta as vibrações excessivas típicas dos motores com três cilindros e a transmissão manual permite trocas precisas. Segundo a Ford, conta com dupla sincronização nas três primeiras marchas e ré sincronizada, o que contribui para a suavidade dos engates.
   A altura livre do solo aumentada para 18,8 centímetros – 1,8 centímetro mais alto do que o Ka “normal” –, a bitola três centímetros maior e os reforços na barra estabilizadora e no eixo traseiro, combinados aos pneus medida 185/60 R15, conferem ao Ka 1.0 Freestyle uma maior sensação de estabilidade, mesmo em pisos ruins. Controles eletrônicos de estabilidade e de tração são complementados por um sistema de proteção anticapotamento que aciona os freios e reduz a potência do motor em caso de rolagem excessiva da carroceria. A direção elétrica conta sistemas para filtrar vibrações e compensar variações na pista. A calibração da direção elétrica é específica para o Freestyle. A Ford adaptou a suspensão retrabalhada do Freestyle 1.5 ao modelo 1.0, o que tornou o conjunto um pouco mais rígido. Nada que chegue a comprometer o conforto. Com seu bem resolvido câmbio manual, o Ka 1.0 Freestyle é uma boa dica de carro para quem quer aprender a dirigir. Entrega o básico em termos de tecnologia e segurança – sem grandes excessos, mas também sem grandes carências.

Ficha técnica: Ford Ka 1.0 Freestyle

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 997 cm⊃3;, três cilindros em linha, duplo comando variável na admissão e no escape no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência: 80/85 cavalos com gasolina/etanol a 6.500 rpm.
Torque: 10,2 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgfm com etanol a 4.500 mil rpm.
Diâmetro e curso: 71,9 mm X 81,8 mm. Taxa de compressão: 12:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Controle de estabilidade de série.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD com assistência de frenagem e de partida em rampa.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,57 m de altura e 2,49 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.066 kg.
Capacidade do porta-malas: 257 litros.
Tanque de combustível: 51,6 litros.
Produção: Camaçari/BA, Brasil.
Lançamento: 2019.
Preço: R$56.690,00.
por Luiz Humberto Monteiro Pereira - Agência AutoMotrix.